Hoje acordei pensando em um caso raro
o tempo e a paisagem como peças de um teatro
lembro de você em um instante, leve e discreta
com seus livros e discos e olhos aflitos
blusa amarela
quase voando inteira do quarto atravéz da janela
e os aviões de papel aterrisando por baixo da minha porta,
por baixo da minha porta
eu não estava só
o tempo e a paisagem me deixavam absorto
o vento vibrava afinada aquarela
intrépida e valente
por todo o meu rosto
a tua voz soava macia
sadia e singela
e o que a gente não dizia
deslizava sobre a pele repleto de notas
ai o céu que não era céu apareceu
até o céu que não era céu apareceu
em meio a fumaça dos cigarros
no meio desse barulho infernal que fazem os carros
você transpirava as rimas e suspiros de Garcia Lorca
ahnn esse jeito seu...
ahnnn essa plenitude infinita...
impede a foice sangrar mais uma vida
anula a ferrugem que assola os anos
com sua doçura divina
calando em gritos o pranto
Nenhum comentário:
Postar um comentário