O Som do Trovão (dentes de leão)
Te falo com os olhos nos lábios
sua vinda tardia o meu ócio
tocando viola, bebendo na roda
pensando em você
com toda essa gente ao meu lado
eu nem reparo
nem reparo
e no serviço eu me atraso
barba por fazer
excesso de planos
frases prontas pra dizer
palavras que mudam
te fazem sentir
e me levam daqui
Você fica bem no seu lar...
e eu nas madrugadas
sem nome ou sobrenome
eu me perco indo pra casa
tendo em vista outros rumos
me esqueçendo em alguém
estou sempre em apuros
uso todas as roupas de um teatro sem ninguém
Porto Alegre é tão grande...
como nunca imaginei
Você fica bem onde está...
Para ignorar o seu olhar
eu saio pelado na rua
me distraio na chuva
mas deixo você passar
atravéz do meu corpo
e atinge a minha alma
pelos seus flancos
pêlos seus francos
Sem medo da sombra que desce
com o fervor de um menino
igual a um leão
a pele calejada de preces
a fúria da espécie
carece perdão
e quando tudo se acaba
e ainda não sigo para casa
tenho saudades do luar...
do seu lar...
E corro para a imensidão
não ter que me achar
ela é igual ao som do trovão
com muito barulho por todos os lados
e com dentes bem afiados
e mentiras aladas pra devorar
a diversão sempre é garantida
a ressaca também
todos estao certos
mesmo cercado de vetos
e com muitos poréns
o mundo egoísta se afirma na falta do sonho
e no seu retrocesso
mas sempre que ouço seus planos
e te vejo com todos seus jestos
a ilusão se desfaz
e nada se acaba
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