terça-feira, 13 de abril de 2010

Um esconderijo sacro-natural

Sob um véu de pensamentos tortos
(fiapos insanos de uma mente estrelada)
avisto flâmulas bem no horizonte...
uma certa copa de árvore desperta atenção
o olhar desfolha o caminho ate o mirante
a poesia não era mais como antes
restou o ligeiro encontro das mãos
o atrito frio da pele ardia em sensações
úmido tato, ínferos lábios
nada salvara os meus naufrágios
a minha carne é o flagelo da noite
ela está sossegada, desperta e afiada
por sob os seus dedos
dedos ladinos que desbravam o meu porto
efêmeros gostos
que anseiam sastifação...

Naufragando em segredos...
tudo era muito mais do que antes
um oceano de idéias que causam efeito
altas insônias brilhando noturnas
o inconstante luar...
as flores que sangram em flores
nascidas em fereza
sao dissonantes (atravéz dos seus lábios)
como uma prece velada
resgato o tom das suas conversas,
os disparos na rua sedenta e gelada
o veneno das trevas...
alados os meu pensamentos
ainda inquietos banhados de chuva

os teus olhos de prata, feitos de lua
rasgam toda a palidez escura
andam pelo abismo da noite
com o silêncio de cada instante
tecendo o seu abrigo...
um esconderijo sacro-natural



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