domingo, 31 de outubro de 2010

A construção da identidade do Serviço Social brasileiro

A construção e consolidação da identidade do Serviço Social de hoje, enquanto profissão, só foi possível graças à sistematização do saber acumulado pela profissão, à investigação sobre o próprio Serviço Social e à compreensão das dinâmicas sociais e seu redimensionamento numa perspectiva que acompanha a diversidade, complexidade e globalidade das novas demandas emergentes na sociedade brasileira. Se, históricamente, em uma primeira fase, a profissão era portadora do estigma do assistencialismo paternalista e autoritário e sofria forte influência teórico-metodológico do Serviço Social norte-americano, com seu modelo que não se enquadrava à realidade brasileira, com a virada dos anos 50 para os 60 já pode percerber-se a caracterização da necessidade de criar novos métodos e técnicas assim como era visível a crescente demanda por uma formação qualificada do ensino em Serviço Social no Brasil. Com o início dos anos 60 e a passagem dos anos 70, marcos históricos surgiram como maneiras de institucionalizar e legitimar a profissão no país, agregar e organizar os profissionais da categoria, sistematizar os saberes científico-metodológicos e direcionar um rumo que a profissão deveria tomar levando em conta a necessidade da formação de um novo projeto profissional ético-político. Esses marcos caracterizaram-se pelos congressos e seminários realizados a partir da década de 60. É neste período que a profissão se articula com outros segmentos e organizações que compartilham do projeto societário do ServiçoSocial. Por outro lado, as crescentes parcelas de trabalhadores empobrecidos que necessitavam de bens e serviços, pressionam o Estado a intervir nas relações sociais e a ser protagonista como agente central na condição de fortalecer as políticas públicas.
A 'questão social' em suas variadas expressões é a matéria prima do Serviço Social e é sobre ela que a profissão se define e se constrói. A prática profissional se articula através de um caráter político pois suas ações alcançam desdobramentos que se explicam no âmbito das próprias relações de poder da sociedade, ou seja, o Serviço Social participa tanto do processo de reprodução dos interesses de preservação do capital quanto das respostas às necessidades de sobrevivência dos que vivem do trabalho.

AZ

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